Na última semana, Florianópolis foi reconhecida como uma cidade Lixo Zero. Foi a única da América do Sul, graças a um conjunto de políticas públicas que, antes de reduzir resíduos incentiva a não geração deles.
Além de incentivar a reciclagem e a compostagem, integrou a economia circular às suas estratégias, valorizou o trabalho dos catadores e promoveu educação ambiental, envolvendo a população no processo.
O Programa ReÓleo da ACIF, foi um atores nessa conquista, não apenas reciclando óleo de cozinha usado mas também levando informação à crianças e adolescentes nas escolas, através das palestras realizadas pelo embaixador do programa, Luiz Falcão.
Segundo Graciane Corso, Consultora e Auditora Lixo Zero e Coordenadora do Coletivo Lixo Zero Floripa, o diferencial de Florianópolis está na combinação entre ambição e execução. “A cidade não se limita a declarar objetivos. Ela conecta legislação, operação, dados, tecnologia e participação social em um mesmo sistema. Isso cria uma estrutura muito mais sólida do que ações isoladas ou campanhas pontuais”, diz ela.
Entre os elementos que fortalecem esse modelo, estão metas públicas para reduzir o envio de resíduos aos aterros, governança interinstitucional para coordenar diferentes atores, coleta seletiva expandida, valorização de resíduos orgânicos, integração com cooperativas,
monitoramento por indicadores públicos e uso de inovação aberta para ganho de eficiência operacional. Na prática, isso significa transformar o conceito Lixo Zero em rotina de gestão.
“Esse reconhecimento foi, para nós, um misto de emoção, orgulho e responsabilidade. Porque quem está nesse trabalho sabe: muitas vezes ele é silencioso. Acontece nos bastidores, na rotina, na insistência diária de fazer dar certo. A urgência é grande demais para ser ignorada”, declara Graciane.
Para ser reconhecida como uma das 20 cidades do mundo rumo ao Lixo Zero, Florianópolis contou com um trabalho coletivo, que envolve catadores, técnicos, gestores públicos, educadores, empreendedores e cidadãos que decidiram fazer sua parte.
A experiência da nossa cidade reforça uma premissa fundamental: não há solução individual para um problema coletivo. E talvez esse seja o maior resultado alcançado até aqui — mostrar que, quando a responsabilidade é compartilhada, a transformação também acontece.




